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Em breve estaremos de volta. O retorno após a pausa. Fôlego e energias renovadas. Às vezes uma preguiça boba e a sensação de que o descanso passou rápido demais. Mas seguimos, como sempre. O retorno, carregado de significados sutis, é uma jornada que transcende o simples ato de voltar. Lembro-me de uma carta escrita por Fátima Freire para as professoras de O Poço do Visconde, em que ela diz “que cada uma reflita como está instrumentalizando seu voltar para transformá-lo em volta”.

 Cada um de nós, imerso nesse universo de possibilidades, é convidado a refletir sobre a instrumentalização desse retorno. Ao contemplar o professor que resgata seu fazer pedagógico após as férias, surge a curiosidade de compreender o que esse voltar representa. Cada indivíduo, cada alma, é instigado a meditar sobre como se instrumentaliza nesse processo, como converte esse retorno em uma volta autêntica.

Todas as vezes que encontramos professores em nossas formações, viagens ou nos encontros do Clube de Livros Diálogos Embalados, percebemos a forma como cada corpo retorna marcado pelas experiências compartilhadas. Somos privilegiados, somos parte de um ambiente sério, porém descontraído, onde risos e brincadeiras têm espaço. Nesse contexto, o prazer é resultado dessa construção coletiva.

É o ato de voltar que se revela o quanto cada ato está impregnado de um chegar. A dinâmica entre voltar e chegar é dialética, contraditória. Cada retorno traz consigo um chegar ao desconhecido. A clareza no trabalho e no grupo torna o voltar mais prazeroso, alegre, seguro, refletindo o compromisso e o envolvimento afetivo-profissional. Como diz Fátima Freire, o verbo “voltar” transforma-se em um substantivo, uma “volta”, dando espaço para o verbo “chegar” fazer sua aparição. Cada um vivencia esse processo de “volta substantivo” e “chegar verbo”. Melhor vivenciando a volta, instrumentalizamos o chegar, construindo a possibilidade de um retorno atual superior ao anterior.

A relação entre voltar e chegar torna-se ainda mais crucial nesse contexto educacional. Cada retorno é uma oportunidade de chegar a novos horizontes, de explorar o desconhecido na jornada do aprendizado. A clareza no propósito educacional torna o ato de voltar mais do que um simples regresso; é um reafirmar do compromisso, uma celebração do envolvimento afetivo-profissional que permeia cada atividade, cada interação, cada conexão.

O voltar transcende a simples ação; é uma jornada de autodescoberta e crescimento coletivo.  Educadores são seres em constante transformação, assim como a água do rio que nunca é a mesma. Além de retornar ao trabalho, desejamos que revisitam as razões que os motivaram a escolher a educação. Que essas motivações renovem seus corações e os impulsionem novamente.

Renovem-se junto ao novo ano.