Quantas vezes as inúmeras mensagens que recebemos diariamente ou os diversos conteúdos nas redes sociais não recebem a atenção que merecem? Sim, é muita coisa que passa por nossa timeline. Nosso cérebro passa a filtrar o que, naquele momento, pode ser útil. Mas nem sempre é. Vivemos em uma era de comunicação instantânea, mensagens rápidas e fragmentadas chegam desde a hora que acordamos até à noite. Frases como “eu vi, mas não vi direito” e “olhei, mas não li” tornaram-se comuns, refletindo uma superficialidade crescente na maneira como interagimos com as pessoas. Esta falta de atenção plena, ou presença sem presença, é um fenômeno que nos distancia da verdadeira compreensão e conexão com os outros e com nós mesmos.

Muitas vezes dizemos “eu vi, mas não vi direito”, quando nos questionam sobre algum assunto relevante que está na imprensa. Nossos olhos podem ter captado a imagem, mas nossa mente não. Da mesma forma, “olhei, mas não li”, quando vemos apenas a manchete de alguma notícia para se sentir informados. A rapidez e a superficialidade com que lidamos com a informação abre espaço para as fake news, que tanto tem nos prejudicado. Embora tenhamos direcionado nosso olhar para as palavras, não conseguimos captar a mensagem que elas carregam. Esse tipo de distração é comum na era digital, onde a sobrecarga de informações nos impede de dedicar a devida atenção a cada detalhe.

A escuta atenta, por sua vez, é uma habilidade cada vez mais rara e necessária. Você está verdadeiramente presente nas suas conversas? A falta de uma escuta cuidadosa nos faz perder informações valiosas, impedindo-nos de formar uma compreensão completa e de responder de maneira adequada. Escutar de verdade exige mais do que ouvir palavras; requer captar nuances, emoções e significados subjacentes.

A falta de um olhar atento e de uma escuta ativa revela uma desconexão preocupante. Estamos presentes fisicamente, mas nossas mentes estão em outro lugar. Esta presença sem presença afeta nossos relacionamentos e nossa capacidade de empatizar e compreender o outro. Sem um olhar apurado e uma escuta genuína, perdemos a essência das interações humanas e deixamos passar oportunidades de aprendizado e crescimento.

Para remediar essa situação, é fundamental cultivar a prática da atenção plena. Isso significa estar totalmente presente no momento, seja ao ler um livro, ao observar uma paisagem ou ao participar de uma conversa. A leitura deve ser uma experiência profunda. O olhar deve ser um ato de contemplação e análise. A escuta deve ser um exercício de empatia, onde nos colocamos no lugar do outro e tentamos compreender verdadeiramente o que está sendo dito.

A ideia de presença real é central para a nossa evolução pessoal e social. Podemos treinar nossa mente para ser mais focada e menos dispersa, aprendendo a valorizar cada momento e cada interação. Que possamos aprender a ver de verdade, a ler com profundidade, a escutar com empatia e a estar presentes com toda a nossa essência. A escuta atenta e o olhar atento são formas de viver de maneira mais plena e consciente. Em junho, embalamos o livro “Olhar Atento: como incentivar os alunos a aprender por meio da observação”, escrito por Shari Tishman, que traz elementos práticos e muitos exemplos para desenvolver o nosso olhar. A obra convida os leitores a desenvolver essa capacidade crítica e criativa sobre o mundo, incentivando a aprendizagem significativa. 

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